
Conversa Descabida - Inês Santos
Inês Santos tem 20 anos e é natural da Amadora. Tendo concluído os seus estudos recentemente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova em Ciências da Comunicação, aguarda pelo estágio. Por enquanto, e enquanto não é chamada para trabalhar, podem ver a Inês nas páginas da LoL Magazine. Na primeira edição, a nossa entrevistada escreveu sobre Raúl Solnado. Aqui, há espaço para isso e muito mais, havendo revelações fantásticas: Inês considera-se freira, gosta que lhe dêem música e o seu maior pecado é a preguiça. Estas e muitas mais informações já de seguida.
Conversa Descabida: Olá colega! Algum nervoso miudinho quanto ao que se vai passar de seguida?
Inês: Nervos, contigo? NUNCA! Que venham as perguntas caro colega!

Conversa Descabida: Como te sentes em fazer parte deste projecto em ascensão que é a LoL Magazine?
Inês: É uma honra. (risos) Agora a sério, acho que é um projecto que tem muito para dar. Com o excelente editor que tem acredito mesmo que conseguiremos levar a LoL a muito bom porto. E claro, estou bastante satisfeita por participar e agradeço-te mais uma vez o convite.
Conversa Descabida: O prazer é todo nosso. E o que tens a dizer da nossa primeira capa?
Inês: Dá-me vontade de levar também as mãos à cabeça! (risos) Gosto do design, gosto dos tons de azul, gosto do “lettering” do título. Tenho a certeza que ao longo das edições vamos conseguindo aperfeiçoar o que não está tão bem e melhoraremos a pouco e pouco. Apesar de fazer parte deste projecto, eu própria estou muito curiosa com o que aí vem e esta primeira capa ainda me aguça mais a curiosidade.
Conversa Descabida: Lady Gaga é o teu estilo de música?
Inês: Não propriamente. Gosto de bandas e cantores de estilos um pouco diferentes, mas sou bastante eclética. Ouço de tudo. De metal a hip hop, passando pelo rock, por estilos mais alternativos, e mesmo pela música clássica ou pelo pop. Digamos que "não sou esquisita", pelo menos em termos musicais.
Conversa Descabida: E a ti, gostas que te dêem música?
Inês: Gosto! (risos) Claro que depende da música. Porquê? Queres dar-me música?
Conversa Descabida: Isso já te dou eu todos os dias. Escreveste o artigo do Raúl Solnado. O que tens a dizer sobre a sua morte?
Inês: É uma grande perda. Raúl Solnado é um dos maiores nomes do humor em Portugal. Um artista multifacetado, "uma fábrica de rir" como ele próprio se definia. Infelizmente tivemos que nos despedir dele. Resta-nos recordar e sorrir com a grande obra que nos deixou.
Conversa Descabida: Não achas macabro e tenebroso que as estações televisivas se aproveitem destes acontecimentos para conquistar audiências? Por exemplo a TVI e a RTP fizeram directos do funeral…
Inês: Faz-me um bocado confusão, sim. É um tema muito delicado para se explorar como em muitos casos se faz...Não vi a notícia do funeral de Raúl Solnado, confesso, portanto não sei como foi feita a exploração do tema. Mas em casos anteriores, que prefiro não referir, achei realmente assustadora a maneira como se abordou o tema com o intuito que referiste na pergunta - conquista de audiências.
Conversa Descabida: Está a decorrer a volta a Portugal em bicicleta. Eras pessoa para participar?
Inês: Se tivesse mais jeito para andar, talvez. Mas por acaso nunca liguei muito. Há muito aquela ideia de "é como andar de bicicleta, nunca se esquece", mas no meu caso, já não ando de bicicleta há tanto tempo que se calhar já me esqueci. (risos)
Conversa Descabida: E de patinagem? Gostas?
Inês: Ui... estás a ir por maus caminhos. Porque é que não me falas de basquetebol? (risos) Patinagem só mesmo ver. Nunca tive grande jeito para esses desportos mais artísticos e isso. Gosto de jogos com bola! Basquete, Ténis, andebol, voley, futebol.
Conversa Descabida: E és pessoa para põr os patins às pessoas com frequência?
Inês: (risos) Seu maroto (risos) Não. Só ponho os patins a quem me faz mal.
Conversa Descabida: Maroto eu? Achas que tinhas potencial para ganhar o Modalfa Fashion Dream?
Inês: Eu? Não me parece, de todo! E tu, o que é que achas?
Conversa Descabida: Acho que ficaria sempre bem ver-te pelo site da Modalfa! Devias pensar em candidatar-te!
Inês: Que simpático! Mas provavelmente não sou o que procuram. Não sou magrinha, não sou suficientemente alta. Mas também não me importo minimamente, nunca quis ser manequim!
Conversa Descabida: Para terminar completa o seguinte quadro de acordo com a tua personalidade e gostos.
A - Medo: Perder as pessoas que amo e aranhas.
B – Pecado: Preguiça.
C – Dom: Ser boa ouvinte e amiga e saber cantar relativamente bem.
D – Som Preferido: O mar.
E – Parte do Corpo: Sorriso e olhar.
F – No Prato: A comida da mamã.
G – Um Filme: Casanova.
H – Verdade ou Consequência: Consequência.
I – Amor ou Paixão: Amor.
J – Freira ou Rameira: Freira (risos).
Conversa Descabida: Muito obrigado por figurares na primeira Conversa Descabida desta publicação!
Inês: Obrigada eu, e peço desculpa por não ser uma entrevistada muito fascinante. Talvez seja melhor do lado de lá! Agradeço também a todos os leitores que leram esta primeira conversa descabida até ao fim.
Texto de: Fábio Esteves
Fotografias de: Inês Santos
Jogatanas - Football Manager 2010

Os fãs da “saga” Football Manager, têm agora uma data para fixar, 30 de Outubro, dia em que será lançado o esperado Football Manager 2010. Este é um jogo que dispensa quaisquer apresentações.
São várias as alterações feitas em relação à versão 2009, destacando-se:
Motor de jogo refinado – Inteligência artificial melhorada, com mais de 100 novas animações no modo tridimensional (3D), novos estádios e público nas bancadas, degradação dos relvados e melhores efeitos de iluminação;
Nova interface gráfica – Visual completamente renovado, com duas novas skins vibrantes (uma em tons claros e outra em tons escuros) para escolha, para além de uma revisão geral na navegabilidade. O menu lateral foi substituído por um novo sistema mais intuitivo de abas, que permite um acesso mais fácil e rápido aos principais ecrãs do jogo;
Renovação Táctica – Um novo módulo táctico torna mais simples fazer com que a sua equipa jogue como tu, de facto, pretendes. Existem milhares de opções pré-definidas e instruções instantâneas para mudar o estilo de jogo da equipa;
Análise de Jogos – Uma nova ferramenta exibe os locais onde ocorreram os remates, passes, cruzamentos, cabeceamentos, cortes, faltas e intercepções de ambas as equipas em disputa, facilitando a análise dos pontos fortes e fracos da tua equipa e do teu adversário;
Novo editor da base de dados – Para além de ser possível editar os dados relativos a plantéis, com o renovado editor de jogo é introduzida a possibilidade de editar competições, permitindo modificar ou adicionar taças e ligas às originalmente incluídas no jogo. Será possível criar novas competições ou novos campeonatos, para além dos que o jogo faculta.
Texto de: João Durão
Som ao Máximo - Novas Promessas da Música Nacional
OqueStrada, Cacique 97 e Virgem Suta são 3 bandas que andam nas bocas do mundo e pelos melhores motivos. Para além de serem projectos ainda no inicío de uma promissora carreira, estas bandas conquistam ao longo dos tempos cada vez uma maior legião de fãs. Nestes 3 nomes há fado gingão, funk e afrobeat e ainda canções de intervenção com um toque de música pop.
Comecemos por falar nos OqueStrada (ao lado), cuja equipa conta com 5 membros: Miranda (a voz que entoa e canta as letras do grupo), João Lima (guitarra portuguesa), Pablo (contrabaixo), Donatello Brida (acordeão) e Zeto Feijão (guitarra e voz). Os OqueStrada vêm da margem sul do Tejo, Almada, e deixam-se marcar pelo seu fado ao estilo Deolinda, contudo, existem diferenças que não passam despercebidas. Se por um lado nos Deolinda apenas nos deparamos com a imagem de Ana Bacalhau a cantar e mais uns instrumentos de corda a fazer acordes e pouco mais, na banda de Miranda deparamo-nos com uma orquestração fantástica à qual se juntam ainda por vezes mais instrumentos como por exemplo a trompete na sua faixa mais conhecida "Oxalá Te Veja". Para conhecer e ouvir mais de OqueStrada basta ir até ao endereço www.myspace.com/oquestrada.Bem diferentes na sonoridade são os Cacique 97, a banda de Milton Gulli (voz e guitarra), João Gomes (teclados), Marcos Alves (percussão), Marisa Gulli (voz e percussão), Tiago Romão (bateria), José Lencastre (saxofone), Vinicius de Magalhães (trombone), Francisco Rebelo (baixo) e João Cabrita (saxofone). Se o instrumentário utilizado parece demasiado excessivo, a sonoridade em contrapartida soa simples e descontraído. Provenientes de Lisboa, Cacique 97 é a banda sonora ideal para quem procura relaxar ao som de grande música e, ainda por cima, com talento nacional. Cacique 97 soa a Cool Hipnoise e Phillarmonic Weed. Exemplo dessas influências espelham-se no single "Eu Quero Tudo". A banda conta com músicas em português, inglês, mandinga da Guiné-Bissau, chuabo de Moçambique e crioulo de Cabo Verde, fazendo as suas sonoridades alcançarem também o continente onde têm grandes raízes: África. Para mais informação e ouvir um bocado das suas canções basta irem até www.myspace.com/cacique97.
Por último
, mas sem dúvida alguma, não menos importantes, chegam-nos os Virgem Suta (ao lado) directamente de Beja. Ao contrário das outras 2 bandas, os Virgem Suta contam apenas com 2 elementos na sua equipa: Jorge Benvinda (voz, guitarra e melódica) e Nuno Figueiredo (guitarras e coros). Aqui podemos relembrar talvez um pouco as melodias ao estilo de António Variações e letras ao estilo Zeca Afonso. Nuno Figueiredo mesmo afirma: "São de facto as nossas influências mais claras. Eu tenho o lado mais pop da música popular portuguesa e o Jorge vai buscar a raiz do músico de intervenção." O primeiro grande concerto da banda deu-se no passado dia 9 de Agosto no Festival do Sudoeste e para começar a escutar os Virgem Suta devem dirigir-se a www.myspace.com/virgemsuta.
, mas sem dúvida alguma, não menos importantes, chegam-nos os Virgem Suta (ao lado) directamente de Beja. Ao contrário das outras 2 bandas, os Virgem Suta contam apenas com 2 elementos na sua equipa: Jorge Benvinda (voz, guitarra e melódica) e Nuno Figueiredo (guitarras e coros). Aqui podemos relembrar talvez um pouco as melodias ao estilo de António Variações e letras ao estilo Zeca Afonso. Nuno Figueiredo mesmo afirma: "São de facto as nossas influências mais claras. Eu tenho o lado mais pop da música popular portuguesa e o Jorge vai buscar a raiz do músico de intervenção." O primeiro grande concerto da banda deu-se no passado dia 9 de Agosto no Festival do Sudoeste e para começar a escutar os Virgem Suta devem dirigir-se a www.myspace.com/virgemsuta.E que continue assim por muito mais tempo a música portuguesa, investindo na qualidade e no futuro, brindando-nos com bandas com estas 3 que atrás foram referidas.
Texto de: Fábio Esteves
No Ecrã - "4 Copas"
4 Copas: A estreia mundial do filme foi no Festival Europeu de Cinema de Kalininegrado, na Rússia, e teve a primeira exibição pública em Portugal, no Festival de Cinema do Estoril 2008. Rodado em 2004, o filme viu a luz do dia apenas cinco anos depois. A estreia nacional aconteceu a 20 de Agosto.
Aposta alta
Sem bluff à vista e com truques na manga, Rita Martins vem para ficar.
É dona de uma naturalidade desarmante e de um olhar profundo. Nascida há 25 anos em São Miguel, nos Açores, Rita Martins veio para Lisboa com 18 para estudar Psicologia. Quis o destino que a sua vida desse uma volta de 180º: numa festa do já extinto jornal A Capital, foi notada pelo actor João Cabral (seu padrinho profissional), que lhe propôs fazer um casting, e acabou como actriz em Lavado em Lágrimas, longa-metragem de Rosa Coutinho Cabral. Seguiram-se mais dois desafios, duas personagens pesadas, na curta-metragem de Alberto Seixas Santos, A Rapariga da Mão Morta, e no filme Efeitos Secundários, de Paulo Rebelo. Em 2008, figurou já entre os oito actores nomeados para o Prémio L’Oréal Paris – Jovem Talento. Agora, é vê-la como Diana na terceira longa-metragem de Manuel Mozos, 4 Copas.
Uma história de amor e de adição ao jogo, onde quatro personagens vivem e partilham problemas comuns. O naipe ao qual o título se refere remete para o amor entre elas. O sonho que comandava as suas vidas cede, depois, lugar ao jogo, que assume um significado diferente para cada personagem - ou peça. Para a Diana, é uma brincadeira séria com um propósito nobre que acaba por tornar-se numa armadilha. Filha leal e precoce, com ironia no bolso e personalidade vincada, reclama a responsabilidade de reparar o casamento do pai, mesmo que isso implique seduzir o amante da madrasta. Uma personagem de 20 anos, a mesma idade com que Rita começou a rodagem da trama: «É uma rapariga normal, que gosta de sair à noite e de se divertir. Pratica escalada. Mostra uma dureza na forma como tenta resolver todos os problemas, que vai perdendo gradualmente», descreve a actriz.
Experiências radicais
A experiência cinematográfica revelou-se um desafio. 4 Copas, «um grande presente do Manuel Mozos», afastou-a do registo dramático a que estava habituada. E conhecer o restante leque de actores, João Lagarto (Gabriel), Margarida Marinho (Madalena) e Filipe Duarte (Miguel), foi, diz, «enriquecedor e gratificante». Juntam-se a outros nomes apontados por Rita, como os de Rogério Samora e de João Cabral: «Transmitiram-me segurança e isso é excelente para quem está a dar os primeiros passos na representação. Ser actriz é uma aprendizagem constante», afirma. Em 2002, teve a oportunidade de trabalhar com o falecido actor Canto e Castro, que se tornou seu «cúmplice, amigo, mentor e fonte de inspiração». «Éramos ambos alérgicos ao pó das pombas, então andávamos sempre com máscara, a protestar, devido ao facto de termos de gravar perto dos pombais (risos). Aprendi imenso com ele. Disse-me aquilo em que devia investir ao nível da formação e os workshops que devia fazer. Acabei por seguir muito daquilo que me ensinou.» Canto e Castro nunca chegou a ver o filme Lavado em Lágrimas. Morreu antes da estreia.
O cinema há muito que deixou de ser um hobby para Rita Martins. Fazer também teatro e televisão será uma questão de tempo. E de ter formação. A actriz já recebeu convites, mas quer ter «mais espaço para experimentar outras coisas». Formada em Psicologia e com uma pós-graduação em Criminologia, tem em mente um projecto que procura uma fusão das suas duas profissões: «Introduzir a Psicologia na representação, pelo menos para argumentistas e realizadores.»
Texto de: Joana Clara
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domingo, 30 de agosto de 2009
Na Estante - "Elogio do Passeio Público", Filipa Martins

“E os dedos dançam na ponta da página…”
Inteligência é talvez a palavra que melhor define Elogio do Passeio Público. É de uma maneira criativa e extremamente inteligente que a autora, Filipa Martins, retrata as limitações do ser humano.
A obra contém uma receita que prende a atenção do leitor do inicio ao fim: uma dose de bom humor, uma pitada de exagero e q.b. de dificuldade.
Em Elogio do Passeio Público, com uma acção decorrida em “passeios e ruas olisiponenses, onde as senhoras virtuosas passeiam as cadelas e o resto passeia a fome” - (p.17), é-nos mostrado que «a vida é uma história com muitos alçapões» - (p.133), retratando-se a condição humana e a maneira como as pessoas, ao saírem de suas casas, pretendem que os outros olhem para elas da melhor maneira criando, por vezes, personagens aos olhos dos outros, uma espécie de vida dupla. Assistimos, assim, à criação de um “nosso homem”, que querendo ser bom em alguma coisa, criava uma fachada para a sua preguiça. Encontramos uma Aurora que é Consuelo, uma mulher da moda, de virtudes aparentes durante o dia, mas que durante a noite se transforma num mero objecto para satisfazer os desejos carnais de “generais e tenentes” e de outros “nosso homem”, talvez devido ao que o narrador chama de “inaceitabilidade do seu EU”.
A utilização de “personagens-tipo” confere à obra um carácter social, em que cada uma representa uma classe de uma época particular - o Estado Novo. Um general cujas capacidades eram maiores que as do país, cujas ideias e visões estavam mais à frente da altura; um “pai do nosso homem” que criticava a ditadura mas vivia às custas deste regime e que acreditava que nesta vida “nada se faz com se faz favores”; a peixeira, a Velha Castiça e tantos outros…
Não se espante, caro leitor, com a denominação das personagens. Pergunta-me pelos seus nomes? Pois nem eu o sei! E este é um dos pontos mais curiosos do livro: a inominação das personagens, que nos remete, de certa forma, para o panorama social da altura em que as pessoas viam o seu estatuto de “ser humano” reduzido.
Outros dos aspectos que, na obra, despertam o interesse do leitor é o facto de o narrador nunca terminar um episódio, deixando-o em suspense e retomando-o mais à frente, revelando o seu contexto. Isto faz com que o leitor só no fim, reconstruindo toda a história, se aperceba dos factos e das ligações existentes.
Elogio do Passeio Público é, sem dúvida, uma excelente representação (um tanto ou quanto disfarçada) da postura ditatorial existente e da vida no Estado Novo. Através das personagens, o narrador (cuja presença vai sendo mais demarcada e mais notória ao longo do livro) estabelece uma relação entre os comportamentos e as vivências neste regime repressivo. Apercebemo-nos da tristeza e desespero que o país atravessava – «uma camada feita de pequenez do pensar e de tristeza farta, que quase chega a ter em si uma beleza própria daqueles que aceitam um certo grau de desespero. A beleza dos tristes.», P.27-; uma sensação de inconformismo face à situação vivida e de admiração por quem tinha estado “lá fora”; a Puritanidade (quase que ridícula) que transformava Portugal num país de virtudes aparentes, de prazeres e desejos escondidos - «Dentro do hábito, deliciava-se com as partes proibidas de livros (…) com textos inapropriados à sua condição religiosa.» - P.41; e ainda um patriotismo exacerbado e a necessidade de uma constante exaltação do nacionalismo: o lema dos “soldados” era «nós amamos a nossa pátria», a “Portuguesa” estava sempre a passar na rádio “desde que o sol se põe, até que o galo canta”…
Também a Censura e o Controle exercidos têm um papel relevante no desenrolar da obra – encontramos o exemplo da lista de livros proibidos e a cómica e bem-humorada descrição das “substituições arcaicas e automáticas” que provocavam grandes gargalhadas nas tabernas «Em Lisboa só se publicavam cantos gregorianos e histórias de fazer oó (…) e romances de cordel com emendas, onde as “relações sexuais” dão lugar ao “coito”…» - P.25; e ainda o exemplo do controle da PIDE (apelidada de “as toupeiras”) em relação aos isqueiros.
Outro dos assuntos bastante interessantes é o valor, representação e papel da mulher na sociedade. Vemos que as mulheres eram, um tanto ou quanto, reduzidas na sua condição humana em que «a aparência é importante. (…) os homens não gostam do lado de galinácea das mulheres (…) Acene muito (…) junte um pouco mais os braços para realçar o decote.» -P.66. Vemos as mulheres como que transformadas em objectos perante os homens (e lembremo-nos que nesta altura existia o conceito de que o chefe de família era o Homem) que serviam para concordar com eles e lhes dar prazer. Temos a personagem da Consuelo ( que é Aurora) como exemplo desta situação.
O religiosismo é também frequentemente satirizado descrevendo-se as crentes como «envoltas em xailes negros e de catecismo e terço na mão» - P.18. Outra descrição extremamente bem conseguida, é o caso das viúvas, caracterizadas como “uma comunidade de formigas em carreiros”, sempre vestidas de preto com os seus rituais e comportamentos tão próprios.
Nesta obra as vidas são como que expostas no “passeio público”, revelando os defeitos e qualidades dos “seres humanos”, levando-nos, inevitavelmente, a rever-nos em algumas destas personagens. A complexidade da escrita (marcadamente e inesperadamente masculina) leva-nos muitas vezes a ter vontade de fechar o livro, parar para respirar e assimilar tudo o que já foi lido, mas a perspicácia da descrição e da apresentação da história leva-nos, também, de imediato a retomar a leitura e, como que a devorar a obra, querer chegar ao fim para completar a trama e terminar o puzzle. Mas, caro leitor, no fim fica uma certeza: definitivamente, “os dedos dançam na ponta da página”.
Mais informação:
Autor(a): Filipa Martins
Título: Elogio do Passeio Público
Editora: Guimarães
Ano de Edição: 2008
Páginas: 149
Preço: 15€
Classificação: 4/5
Texto de: Ana Raquel Justino Cabaço
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Reportagem - Raúl Solnado: 1929 - 2009

Brilhou no teatro, no cinema, na televisão e revolucionou o humor em Portugal. No passado dia 8 de Agosto, o país despediu-se de um dos seus maiores artistas. Raul Solnado faleceu vítima de doença cardiovascular, aos 79 anos, no Hospital Santa Maria, em Lisboa.
Nascido a 19 de Outubro de 1929, Solnado começou a fazer teatro na Sociedade Guilherme Cossoul. Em 1953, estreou-se no teatro de revista na peça "Viva o Luxo".
Participou em várias peças e em filmes, como por exemplo "Sangue Toureiro" ou "As Pupilas do Senhor Reitor". Raul Solnado adaptou para português o sketch "A Guerra de 1908", de Miguel Gila, e, em 1961, interpretou-o na revista "Bate o Pé", no Teatro Maria Vitória.
Em 1969, surge o programa "Zip Zip", que o humorista criou com Fialho Gouveia e Carlos Cruz, algo completamente diferente do que se fazia até então. Este programa surge em tempos de censura, e apesar da sua curta duração revolucionou a televisão em Portugal. Ainda na televisão, Solnado distingue-se em programas como "A Visita da Cornélia", "O Resto são cantigas", e na série "Lá em casa tudo bem", por exemplo.
Em 2001, recebeu o prémio carreira Luiz Vaz de Camões, e entre outras distinções que lhe foram feitas, em 2004, recebeu, do Presidente da República Jorge Sampaio, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Até à sua morte, Raul Solnado foi director da Casa do Artista, associação que fundou com o falecido actor Armando Cortez, entre outros. Humorista, actor e apresentador, Solnado apelidou-se a si mesmo de "uma fábrica de rir".
Texto de: Inês Moreira Santos
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009
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